O novo relatório intitulado What travel buyers and travelers say about TRM, elaborado pela equipa de Research & Intelligence da BCD Travel e apresentado durante o European PM Forum 2026, analisa como os programas de gestão de riscos de viagem estão a evoluir. Além disso, o estudo também destaca as preocupações principais de viajantes e gestores de viagens.
Os dados levam a uma conclusão clara: o risco já não se perceciona como um cenário excecional. Forma parte do dia a dia das viagens empresariais. Mudanças geopolíticas, fenómenos meteorológicos extremos, cibersegurança e desinformação impulsionada por IA estão a redefinir a forma como as empresas protegem os seus empregados quando viajam. E, neste contexto, a tecnologia e o fator humano devem trabalhar mais unidos do que nunca.
A gestão de riscos de viagem já é estratégica, embora com insuficiências
O relatório da BCD Travel mostra que a gestão de riscos de viagem ganhou peso dentro das organizações. 72% das empresas afirmam já ter um programa formal de gestão de riscos de viagem, ao passo que 20% asseguram dispor pelo menos de iniciativas parciais relacionadas com a segurança do viajante.
Além disso, a maioria das companhias está a evoluir em direção a modelos mais amadurecidos e proativos:
- 82% afirmam trabalhar com uma abordagem focada em prevenção
- 78% integram a gestão de riscos de viagem em vários departamentos
- 70% dispõem de orçamento específico

Isto demonstra que o duty of care (dever de cuidado) deixou de ser um conceito teórico e converteu-se numa responsabilidade estratégica.
No entanto, ainda existem desafios internos importantes. Os principais obstáculos identificados pelos gestores de viagens são:
- Restrições orçamentais
- Falta de expertise especializado
- Responsabilidades pouco claras
- Falta de colaboração transversal
Ou seja, muitas empresas entendem a importância do risco, mas ainda não têm estruturas suficientemente sólidas para o gerir de forma integral.
Tecnologia TRM: mais ferramentas, mas nem sempre mais integração
A tecnologia desempenha um papel central na evolução da gestão de riscos de viagem. Segundo o relatório, as ferramentas mais implementadas atualmente são:
- Alertas de incidências
- Rastreio de viajantes
- Aplicações móveis para o viajante
- Informações sobre destinos
A adoção tecnológica é alta, especialmente no que respeita a funcionalidades vinculadas a visibilidade e comunicação. Mas isso não significa que está tudo resolvido.
Um dos grandes problemas detetados é a desconexão entre sistemas. De facto, 36% dos gestores de viagens consideram que as ferramentas isoladas e pouco integradas são um dos principais desafios externos dos seus programas de gestão de riscos de viagem.
Surge assim uma questão crucial: a tecnologia traz valor real apenas quando forma parte de um ecossistema coerente. Ter múltiplas ferramentas sem integração pode gerar mais complexidade do que eficiência.
Este enfoque relaciona-se diretamente com o nosso artigo sobre gestão de viagens com apoio humano ou só tecnologia, em que analisamos como combinar automatização e acompanhamento especializado para melhorar a experiência do viajante.
A IA entra em cena, mas ainda levanta dúvidas
Um dos pontos mais interessantes do relatório é o avanço da inteligência artificial aplicada à gestão de riscos de viagem.
Atualmente:
- 29% das empresas já utilizam IA nos seus programas de gestão de riscos de viagem
- Mais de metade está a explorar casos de utilização, embora ainda não a tenha implementado
As aplicações mais habituais ou previstas são:
- Alertas automatizados
- Modelos preditivos de risco
- Chatbots e assistentes virtuais
- Deteção de desinformação
Contudo, a adoção é ainda prudente. Muitas organizações reconhecem que ainda estão a avaliar o equilíbrio entre inovação, privacidade e fiabilidade. E é lógico que assim seja. A IA pode acelerar processos e detetar padrões, mas o discernimento humano continua a ser essencial em situações complexas. No sector de viagens de negócios, o desafio não é automatizar tudo. É utilizar a tecnologia para tomar melhores decisões e responder mais rapidamente quando o contexto muda.
Geopolítica, clima e cibersegurança: os riscos que mais preocupam
O relatório identifica quais são os riscos que as empresas consideram ser mais críticos nos próximos anos.
Os três principais são:
- Instabilidade geopolítica
- Fenómenos climáticos extremos
- Riscos de cibersegurança
Além disso, existe também maior preocupação com a desinformação gerada por meio de IA e com a possibilidade de novas crises sanitárias.
Isto reflete uma transformação importante: o risco já não se limita à deslocação física. Inclui agora fatores digitais, reputacionais e ambientais que podem afetar diretamente a continuação da viagem e a segurança do empregado.
Para os gestores de viagens, isto implica trabalhar com modelos de gestão muito mais dinâmicos. As políticas rígidas já não são suficientes. É preciso ter capacidade de adaptação, informação em tempo real e protocolos de atuação claros.
O que realmente preocupa o viajante de negócios
Na BCD Travel também se realizou uma série de inquéritos a viajantes empresariais para entender como percecionam o risco quando viajam em trabalho.
As maiores preocupações são:
- Acidentes de transporte
- Emergências de saúde
- Roubos ou delinquência
- Fenómenos meteorológicos extremos
Curiosamente, riscos como o terrorismo ou a cibersegurança geram menor preocupação direta entre os viajantes, apesar de terem peso a nível empresarial. Além disso, o relatório revela diferenças consoante região e género. Por exemplo:
- Os viajantes da Ásia-Pacífico assinalam maior preocupação com fenómenos naturais
- As mulheres indicam níveis mais altos de preocupação em praticamente todas as categorias de risco.
Estas nuances são importantes porque demonstram que não existe um só perfil de viajante. As necessidades e perceções mudam consoante o contexto, experiência e destino.
Informações de segurança nem sempre acessíveis

Um dos dados do relatório que mais chamam à atenção é o de 28% dos viajantes terem tido de procurar informações de segurança por conta própria porque os recursos da empresa não eram suficientes ou facilmente acessíveis. Isto evidencia que a informação existe, mas nem sempre chega de forma clara e útil ao viajante.
Há que acrescentar que embora 72% assegurem saber onde encontrar informações de segurança quando precisam, existe ainda uma margem para melhorar no que respeita a comunicação e acessibilidade. É neste ponto que a combinação entre tecnologia e apoio humano volta a ser fundamental:
- A aplicação contribui com rapidez e informação em tempo real
- O apoio especializado contribui com contexto, discernimento e acompanhamento
O futuro da gestão de riscos de viagem será mais humano
Apesar de a gestão de riscos de viagem estar a avançar para modelos cada vez mais tecnológicos, o relatório da BCD Travel deixa claro que o fator humano continua a ser determinante. Porque em situações críticas: Os dados ajudam. A tecnologia alerta. Mas as pessoas interpretam e decidem.
A evolução da gestão de riscos de viagem não ocorre com a substituição de humanos com automatização. Ocorre com a integração de ambos os elementos de forma inteligente para proteger melhor o viajante e responder mais rapidamente e com maior precisão.
Proteger o viajante já faz parte da estratégia empresarial
O relatório What travel buyers and travelers say about TRM da BCD Travel demonstra que a gestão do risco já não pode ser abordada como um elemento secundário no âmbito das viagens empresariais.
Os viajantes esperam sentir-se protegidos, as empresas precisam de capacidade de reação e os gestores de viagens devem gerir um ambiente cada vez mais complexo.
Na BCD Travel ajudamos as organizações a integrar tecnologia, apoio especializado e estratégias de duty of care no âmbito de programas de viagens mais seguras, conectadas e eficientes. Porque hoje em dia gerir viagens empresariais também significa gerir confiança.