Travel Market Report 2026: tendências das viagens de negócios

Descubra as principais tendências das viagens de negócios em 2026, de acordo com o Travel Market Report: tráfego aéreo, risco, métodos de pagamento, custos e evolução do viajante empresarial.

Se gere viagens empresariais, compreender as tendências das viagens de negócios é fundamental. O contexto global está a mudar. A procura evolui, os riscos aumentam e as expectativas do viajante continuam a sofrer transformações. Tudo isto influencia diretamente o modo como concebe o seu programa de viagens.

O último Travel Market Report relativo ao primeiro trimestre de 2026 da BCD Travel, elaborado pela equipa de Research & Intelligence, analisa as principais tendências que estão a marcar o presente e o futuro das viagens de negócios. Da evolução do tráfego aéreo à gestão do risco ou às mudanças nos métodos de pagamento, o relatório apresenta uma visão clara do contexto global no qual as empresas desenvolvem atualmente a sua atividade.

O tráfego aéreo está a desacelerar: o que implica para o seu programa de viagens

De acordo com o Travel Market Report, o crescimento do tráfego aéreo global tornou-se mais moderado em 2025. Após o grande impulso pós-pandemia de 2024, o mercado cresceu cerca de 5,3%, longe dos 10,4% do ano anterior. E embora o último trimestre tenha mostrado alguma recuperação, o início de 2026 confirma uma desaceleração.

Em janeiro, o crescimento interanual situou-se nos 3,8%, o nível mais baixo desde setembro de 2025. Este travão afeta tanto os voos internacionais como os nacionais, ainda que com diferenças relevantes conforme a região.

Isto tem implicações claras:

  • Menor pressão da procura em algumas rotas.
  • Maior variabilidade nos preços e na disponibilidade.
  • Necessidade de ajustar as previsões de viagens.

Além disso, o comportamento regional não é homogéneo. África lidera o crescimento, com cerca de 18% em janeiro, enquanto a Ásia-Pacífico e a América do Norte travam a média global. Particularmente relevante é o caso dos EUA, onde a procura nacional está há vários meses a regredir.

Este contexto obriga a ser mais estratégico na planificação. Não basta replicar padrões de anos anteriores. Necessita de dados atualizados e de capacidade de adaptação.

Segurança aérea: melhora operacional, mas com novos matizes

Em termos gerais, a segurança aérea continua a melhorar. Em 2025, a taxa de acidentes diminuiu ligeiramente, com 51 incidentes por comparação com os 54 do ano anterior. Isto equivale a um acidente por cada 1,32 milhões de voos, melhorando a média dos últimos anos. Isto significa que a aviação continua a ser extremamente  segura.

A nível regional, existem diferenças significativas:

  • a zona do Médio Oriente mantém uma taxa zero de fatalidades desde 2019.
  • a Europa e o norte da Ásia também registam zero falecimentos em 2025.
  • África continua a ser a região com maior número de acidentes, ainda que melhore relativamente ao ano anterior.

A conclusão é clara: a segurança melhora, mas a gestão do risco continua a ser fundamental.

Neste sentido, estabelecer uma ligação entre estes dados e as estratégias de dever de cuidado é fundamental. No nosso artigo sobre Dever de Cuidado: como garantir a segurança do viajante, analisamos aprofundadamente como estruturar programas que protejam realmente os funcionários em qualquer contexto.

O impacto do preço dos combustíveis nos custos das viagens

O combustível continua a ser um dos principais custos operacionais das companhias aéreas. Em alguns casos, representa até 25% do total. Por isso, qualquer variação do preço influencia diretamente as tarifas e a rentabilidade.

O conflito no Médio Oriente provocou subidas recentes do preço do petróleo. Mas além do nível de preços, existe um fator ainda mais crítico: a velocidade da mudança. Quando o preço sobe de forma brusca, as companhias aéreas não se conseguem adaptar com a rapidez suficiente. Isto provoca uma queda das margens e, em muitos casos, ajustes das tarifas. O custo da viagem não depende apenas da procura. Mas também de fatores geopolíticos que fogem ao controlo direto do programa.

Historicamente, os maiores impactos verificaram-se em contextos de subida rápida. Por exemplo:

  • Em 2008, um aumento de 40% nos preços do combustível reduziu as margens para zero.
  • Em contrapartida, em períodos de preços elevados, mas estáveis, as companhias aéreas podem adaptar-se melhor.

Para si, isto implica:

  • Maior volatilidade nos preços dos bilhetes.
  • Necessidade de flexibilidade nos orçamentos.
  • Importância de prever tendências energéticas.

Pagamentos no destino: a experiência do viajante muda conforme o mercado

A forma como os viajantes pagam no destino está a evoluir rapidamente e não é homogénea a nível global. O relatório destaca o nordeste asiático, onde as diferenças são particularmente acentuadas.

Na China, os pagamentos móveis por QR code dominam o mercado. Aplicações como o Alipay ou o WeChat Pay são essenciais, mesmo para viajantes internacionais.

Por outro lado:

  • Hong Kong mantém um sistema amplamente baseado em cartões.
  • O Japão combina os pagamentos em numerário, os cartões e sistemas locais, como os cartões IC.
  • A Coreia do Sul avança para uma economia praticamente sem pagamentos em numerário.

Quais são as implicações de tudo isto para o seu programa de viagens?

  • O facto de não existir um modelo único de pagamento válido.
  • O facto de ter de adaptar as suas soluções ao destino.
  • O facto de a experiência do viajante depender dessa adaptação.

Uma planificação indevida pode gerar custos inesperados ou atritos operacionais. Por esse motivo, definir uma estratégia de pagamentos global, mas flexível, é cada vez mais importante.

Gestão do risco: o que preocupa realmente o viajante

Os dados extraídos do Travel Market Report, que tiveram como origem dois inquéritos realizados junto de viajantes e de travel managers, demonstram que os riscos que mais preocupam não são sempre os que são alvo de maior cobertura mediática.

As principais preocupações são:

  • Acidentes de transporte.
  • Emergências sanitárias.
  • Condições meteorológicas adversas.
  • Outros riscos, como terrorismo ou cibersegurança, têm menor peso na perceção general.

Além disso, existe um dado relevante: cerca de 8% dos viajantes sofreram incidentes que exigiram apoio por parte da empresa. E embora a maioria saiba como aceder à informação de segurança, nem sempre o faz de forma simples. Mais de um quarto recorre a canais alternativos.

Isto revela duas coisas:

  • A informação existe.
  • Mas nem sempre está acessível nem é clara.

Também se deve destacar que, cerca de 45% dos viajantes admitem ter feito a reserva fora dos canais empresariais em alguma circunstância, o que representa um risco evidente em termos de controlo e de segurança.

Gestão dos riscos em viagens: a visão do travel manager

Do ponto de vista do travel manager, a gestão do risco continua a evoluir, mas não sem desafios. Praticamente metade das empresas experimentaram incidentes no último ano. Os mais frequentes:

  • Fenómenos meteorológicos extremos.
  • Instabilidade política.
  • Emergências sanitárias.

A nível interno, os principais desafios são:

  • Falta de orçamento.
  • Falta de expertise.
  • Falta de clareza em matéria de responsabilidades.

A nível externo:

  • Ambientes geopolíticos instáveis.
  • Sistemas e ferramentas desligados.

Não obstante, verificam-se progressos significativos:

  • Cerca de 80% das empresas adotam abordagens proativas.
  • Cerca de 70% dispõem de orçamento específico.
  • A utilização de ferramentas como o tracking ou as aplicações móveis está amplamente implementada.

No entanto, tecnologias mais avançadas, como a análise de dados baseada em IA continua a ter uma adoção limitada. O desafio já não é a implementação de ferramentas. É a sua integração de forma coerente.

Um ambiente mais complexo exige decisões mais inteligentes

O Travel Market Report deixa uma conclusão clara: as viagens de negócios são atualmente mais complexas, mas também mais estratégicas, o que proporciona mais oportunidades aos que sabem interpretar o contexto.

A BCD Travel ajuda-o a transformar dados em decisões. A integrar tecnologia, gestão do risco e experiência do viajante num programa coerente e eficiente. Porque viajar por motivos de trabalho já não é só deslocar-se de um ponto para o outro. É gerir um ecossistema em constante mudança.

O novo Travel Market Report relativo ao primeiro trimestre de 2026 da BCD Travel revela como as viagens de negócios estão a mudar:

  • Desaceleração do tráfego aéreo, que obriga a ajustar previsões e estratégias.
  • Segurança aérea a melhorar, mas com diferenças regionais que reforçam a importância do dever de cuidado.
  • Volatilidade dos preços dos combustíveis, com influência direta nas tarifas e nos orçamentos.
  • Pagamentos no destino que evoluem conforme o mercado, sem um modelo global único.
  • Gestão do risco mais complexa, com viajantes e travel managers a percecionar ameaças diferentes.

O resultado: um ambiente mais exigente que requer decisões baseadas em dados e uma maior flexibilidade.

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